Educação é alternativa para enfrentar o apagão de talentos

Na manhã desta quarta-feira, 15 de junho, executivos e gestores da área de Recursos Humanos debateram o atual momento de escassez de mão de obra qualificada e as alternativas para enfrenta-la. Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), o 2º Fórum dos Presidentes de Pernambuco apontou o investimento em educação como principal frente de ação para solucionar a problemática do “apagão de talentos”. “O apagão não será resolvido com a espera e sim com ações. As empresas já entenderam que não devem esperar pelo Governo, estão fazendo sua parte, e muito mais farão, mas para isso é preciso criar uma agenda de incentivos à Educação no Brasil, por exemplo, como existe à cultura”, comenta Luiz Edmundo Rosa, diretor de Educação da ABRH.

As discussões abordaram desde a necessidade de desoneração da folha de pagamento, possível a partir da reforma tributária, como a necessidade de despertar a vocação e motivação dos jovens ainda na escola fundamental. “Precisamos de soluções inovadoras para melhoria da educação no país e isto só será possível a partir da integração entre governos, empresas, sindicatos e escolas. A escola dever ir à empresa e esta visitar as empresas. A criança e o jovem precisam reconhecer suas aptidões desde cedo e desenvolve-la”, continua.

O Brasil está passando por um crescimento significativo em todas as áreas econômicas e, o Nordeste, região que fornecia trabalhadores, agora, demanda por profissionais, pois cresce em ritmo acelerado. Se por um lado há demanda de mão de obra, por outra sobram vagas. O principal motivo para o não preenchimento dos postos de trabalho é a falta de qualificação da mão de obra, o que é acentuado pelo baixo nível de escolaridade e pouca experiência dos candidatos. Para Rosa, a tecnologia é, em parte, responsável pelo maior grau de exigência no perfil de mercado. “Antes, para se dirigir um caminhão se exigia força, agora é a capacidade do motorista de dirigir bem e com qualidade, sabendo operar os equipamentos disponíveis como computador de bordo, GPS, etc.”, comenta.

“O grande desafio das empresas está em encontrar alternativas para capacitar pessoas que estão despreparadas para o mercado de trabalho”, continua Rosa. À medida que o país se desenvolve, os números apontam um crescimento inverso na educação básica do Brasil. “E as perspectivas do crescimento e da competitividade do Brasil têm na educação uma prioridade. Demandamos por qualificação, mas se os números na educação estão em queda, não podemos acreditar que o problema seja dos outros. De fato ele é de todos nos. É preciso que as empresas criem suas próprias soluções que viabilizem seu desenvolvimento”, afirma.
Entre as ideias e caminhos apontados estão:
1- Cuidar bem dos talentos – é preciso mapear cuidadosamente, entender as perspectivas, ter planos individualizados e rever a proposta de valor. “Este ultimo, por exemplo, pode ser um grande diferencial. Para quem está entre os 20 e 30 anos, o estudo pode ter mais valor, mas para quem está entre 30 e 40 benefícios para os filhos passa a ser mais importante. A empresa tem que esta atenta a isto”, complementa Rosa.

2- Rever politicas e praticas – investir na equipe, valorizar a iniciativa, inovação e cooperação, reconhecer por mérito, remunerar por desempenho e resultado, além de flexibilizar critérios de seleção. “Não posso perder um talento porque o rapaz não tem ensino médio e é exigido para o cargo. Se ele apresenta as aptidões necessárias, porque não admitir ele, exigir e contribuir com o sua formação”, comenta Rosa.

3- Ser um bom lugar para trabalhar – zelar pela pratica dos valores, medir clima gestor-equipe, ter planos de melhoria, educar a liderança, valorizar quem é bom gestor. “Hoje, os jovens querem escolher a empresa onde trabalhar e ser o referencial do seu setor de atuação ajuda a empresa a reter os talentos e ter menos problemas com a falta de profissionais qualificados”, afirma.

4- Promover ativamente a educação – ir além da capacitação técnica, valorizar quem educa e reconhecer quem aprende, desperta vocações, formar lideres. “Porque procurar fora da empresa os gestores para vagas em aberto. Promover a prata da casa poderá melhorar e muito o clima de trabalho”.

5- Ser parceira da Universidade – realizar programas a quatro mãos ou em consórcio, compartilhar instalações, estimular profissionais docentes, realizar visitas e pesquisas.

6- Investir mais cedo e mais fundo – valorizar o menor aprendiz, repensar programas de estagio e trainee, formar substitutos e sucessores, aprovar quem estuda.

7- Inovar a Gestão de Pessoas – ampliar a polivalência, criar ambientes de aprendizado e inovação, promover a mobilidade, flexibilizar as relações de trabalho, buscar talentos nas classes menos favorecidas.

O Fórum contou com a presença de executivos de empresas como Bonanza Supermercados, Eletroshopping, GA Tecidos, Newsupri, Grupo Disnove, entre outros, além de instituições como o Senac-PE.


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